Diabetes no cônjuge e risco de diabetes

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Um estudo recente, disponível em “open access” na BMC através do link http://www.biomedcentral.com/1741-7015/12/12 analisa a concordância de diabetes mellitus em cônjuges, investigando dessa forma a relevância de fatores não biológicos, nomeadamente sociais e ambientais, no risco de aparecimento de diabetes.

O estudo conclui que a presença de diabetes/pré diabetes no cônjuge condiciona um risco de doença cerca de 26% maior, um valor semelhante à duplicação do risco registada nos filhos de um progenitor diabético.

O artigo equaciona a importância deste conhecimento na adopção de estratégias de rastreio, de prevenção e de intervenção que envolvam toda a família.

O estudo evoca ainda a importância de que a história familiar possa documentar estas importantes relações familiares de carácter não biológico.

 

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GOTA, COMO TRATAR ?

A revista Annals of Rheumatic Diseases publicou em Fevereiro de 2014 uma série de recomendações para o diagnóstico e tratamento das crises de gota, com o objectivo de melhorar a qualidade de vida e a abordagem médica destes doentes. Este artigo pode ser consultado através do link http://ard.bmj.com/content/73/2/328.full

Estas recomendações foram desenvolvidas por um painel internacional e assumem que os médicos, generalistas e especialistas, podem ainda optimizar, de forma muito significativa, os cuidados que minimizam o impacto desta doença intemporal, altamente incapacitante mas potencialmente curável.

São estas as 10 recomendações (em tradução livre):

1 – O diagnóstico definitivo de gota deve implicar a identificação de cristais de monourato de sódio; se isto não for possível o diagnóstico de gota poderá assentar nas características clínicas clássicas ( tais como a existência de podagra, a presença de tofos gostosos ou a resposta rápida à colchicina) e/ou em achados imagiológicos característicos.

2 – Nos doentes com gota deve medir-se a função renal e avaliar a presença de factores de risco vascular.

3 – O tratamento deve ser feito com baixas doses de colchicina (até 2 mg por dia), anti-inflamatórios não esteróides (AINE´s) e /ou corticóides (por via oral, intra-articular ou intra-muscular)

4 – Os pacientes devem reduzir o excesso de peso, fazer exercício físico, parar de fumar e evitar o excesso de álcool e as bebidas açucaradas.

5 – O alopurinol deve ser a terapêutica de primeira linha para descer o nível de uratos, seguida dos uricosúricos ou do febuxostat. A uricase em monoterapia só deve utilizar-se em doentes com gota severa e no caso de todas as outras terapias terem falhado ou serem contraindicadas. As terapêuticas para baixar o nível de uratos, com a excepção da uricase, devem ser iniciadas em baixa dose e aumentadas de forma a atingir os níveis séricos alvo.

6 – A educação do paciente durante as crises é essencial e a profilaxia, com doses de colchicina até 1.2 mg/ dia deve ser considerada. Os AINE´ou os corticóides em baixa dose podem também ser utilizados se a colchicina não for tolerada ou estiver contra-indicada.

7 – O alopurinol pode ser utilizado nos pacientes com disfunção renal ligeira a moderada, desde que haja uma monitorização apertada de reações adversas. Deve começar-se com doses de 50 a 100mg que devem ser titradas para atingir os níveis de ácido úrico pretendidos. O febuxostat e a benzbromarona podem ser utilizados como opções alternativas, sem necessidade de ajuste de doses.

8 – O tratamento deve ter como objetivo atingir níveis de ácido úrico abaixo de 6 mg/dl ( 0.36 mmol/L), a ausência de crises de gota e a resolução dos tofos gotosos. Devem por isso monitorizar-se os níveis de uratos, a frequência das crises e a dimensão dos tofos.

9 – Os tofos gotosos devem tratar-se medicamente, através da redução sustentada dos níveis de ácido úrico, de preferência abaixo dos 5 mg/dl ( 0.30 mmmol/L). A cirurgia está reservada para situações onde exista compressão nervosa, conflito de espaço ou infeção.

10 – Não se recomenda a terapêutica farmacológica da hiperuricemia assintomática.

 

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Como devem vestir-se os profissionais de saúde?

A Society for Healthcare Epidemiology of America fez um interessante conjunto de recomendações gerais e práticas, sobre como devem vestir-se os profissionais de saúde, mantendo a dignidade da sua aparência profissional, assegurando o necessário conforto e reduzindo o risco de transmissão de infecções nosocomiais.

O artigo pode ser consultado “on line” de forma livre através do seguinte link http://www.jstor.org/stable/10.1086/675066 e interessa os profissionais que não exerçam a sua actividade em blocos operatórios.

Nestas recomendações o grupo de trabalho envolvido procura ultrapassar a falta de evidência científica existente, tomando a iniciativa de propor a realização de estudos bem desenhados neste domínio.

Nestas recomendações sugere-se que os médicos e demais profissionais de saúde usem mangas curtas ( até ao cotovelo ) e restrinjam a utilização de objectos como relógios, jóias ou gravatas durante a sua prática clínica.

Definem-se ainda regras para a utilização das batas e da sua lavagem.

Preconiza-se que os sapatos devem ser fechados, com saltos rasos e com solas anti-derrapantes.

Os cartões de identificação, estetoscópios, aventais, luvas, telemóveis ou outros artigos que possam entrar em contactar com o doente ou com o ambiente do doente devem, de acordo com a sua natureza, ser devidamente desinfectados, substituídos ou eliminados.

Defende-se finalmente que a adopção de todas estas medidas seja voluntária.