30
janeiro
2014

Rastreio de Aneurismas da Aorta Abdominal

Recomendações da USPSTF
 
A “U.S. Preventive Services Task Force” (USPSTF) fez, recentemente, uma revisão sistemática da literatura médica, procurando encontrar evidências clínicas que caracterizem os benefícios e os danos associados ao rastreio, por ecografia, de aneurismas da aorta abdominal( AAA), em doentes assintomáticos.
Esta revisão, publicada na revista Annals of Internal Medicine  -http://annals.org/article.aspx?articleid=1817257 - em 28 de Janeiro de 2014,  concluiu que um único rastreio ecográfico, efectuado a homens com 65 ou mais anos, se associava a uma diminuição da taxa de rotura do AAA e a uma diminuição, no período de 13 a 15 anos, de 50% na mortalidade a tal associada. Não foi encontrada evidência de diminuição significativa da mortalidade quando considerado o conjunto de todas as causas de mortalidade.
 
Nos quatro estudos analisados a prevalência de AAA variou entre 4.0 %  e 7.7/% nos homens. 70 a 82% destes aneurismas tinham uma dimensão inferior a 4,5 cm. Foram encontrados AAA iguais ou maiores a 5.5 cm em 0.4% a 0.6% da população estudada.
O rastreio associou-se a uma maior taxa de cirurgias e a uma maior taxa de cirurgias electivas, mas a uma diminuição do número de cirurgias de urgência e também uma menor taxa de mortalidade operatória a 30 dias.
No único estudo que envolveu mulheres, o rastreio não teve impacto na mortalidade por AAA ou na mortalidade por todas as causas. A prevalência nas mulheres foi 6 vezes inferior á dos homens (1.3% vs. 7.6%).  A maior parte dos aneurismas tinham entre 3.0 cm e 3.9 cm.
É aliás na sequência dos resultados obtidos nas mulheres que é emitida uma proposta de revisão das recomendações para o rastreio destas lesões que se encontra aberta à discussão pública no site http://www.uspreventiveservicestaskforce.org/draftrec.htm.
Os pilares que suportam a opinião da USPSTF podem resumir-se da seguinte forma:
- Existem evidências significativas de um benefício líquido moderado no rastreio por ecografia de AAA nos homens entre os 65 e 75 anos que tenham alguma vez fumado;
- Existem evidências moderadas de um pequeno benefício líquido no rastreio por ecografia de AAA nos homens entre os 65 e 75 anos que nunca tenham fumado;
- Não há evidência suficiente para determinar o balanço entre benefício e danos associado as rastreio de AAA em mulheres entre os 65 e os 75 anos que alguma vez tenham fumado;
- Existem evidências moderadas de que os danos do rastreio por ecografia de AAA nas mulheres que nunca tenham fumado são superiores aos benefícios.
São ainda reconhecidos importantes factores de risco a ter em conta na decisão clínica: a idade, a presença de AAA num familiar em primeiro grau, a história de outros aneurismas vasculares ou a existência de doença coronária, doença cerebrovascular, aterosclerose, hipercolesterolemia, obesidade e hipertensão. Os Áfro-americanos, os Hispanicos e a diabetes estão associados a um menor risco de desenvolvimento de AAA.
Nos estudos disponíveis os benefícios na mortalidade relacionados com o AAA resultaram da referenciação imediata para cirurgia aberta nas lesões com dimensões iguais ou superiores a 5.5 cm, ou naquelas com crescimento superior a 1.0 cm ao ano.
Estas conclusões apresentam as limitações associadas às populações utilizadas para o estudo. Devem ainda ter-se em conta factores como a “expertise” das equipas cirúrgicas envolvidas, a utilização de novas técnicas – como a cirurgia endovascular -  ou os valores e convicções pessoais de cada indivíduo.
 
 
Criada em 1984, a United States Preventive Services Task Force (USPSTF ou Task Force) é um grupo independente de peritos americanos em prevenção e medicina baseada em evidências, que trabalha com o objectivo de melhorar a saúde dos americanos.
Este grupo faz recomendações sobre a utilidade de estratégias preventivas tais como rastreios, aconselhamento médico ou medicações preventivas.
É composto por 16 membros, todos voluntários, com experiência nas áreas da medicina preventiva e dos cuidados de proximidade, incluindo médicos de família, internistas, pediatras, especialistas em saúde comportamental, ginecologistas/ obstetras e enfermeiros.

 

Todos estes membros doam o seu tempo para servir a Task Force e são, na sua maior parte, clínicos práticos.

Categories: Journal Club Virtual

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